quinta-feira, 6 de maio de 2010

Lembranças

Era madrugada de uma sexta-feira. Podia-se ouvir nitidamente os trovões que caiam, até as paredes ecoavam. Vez ou outra ouvia-se o barulho do tráfego, que era abafado pela chuva que caia sem cessar. Me dirigi até a sala e nem mesmo foi preciso acender as luzes, já que os clarões causados pelos relâmpagos iluminavam o suficiente. Sentei no sofá e fiquei ali, imóvel. Apenas ouvindo aquele barulho agradável da chuva.

Senti sono. Minhas pálpebras se cansaram. Meus olhos lutavam e relutavam tentando. Mas eu continuava mantendo-os abertos. Voltei pacientemente até meu quarto e me deitei. Virava para um lado. Virava para o outro. Toda inquieta. Procurando por algo que não podia sem encontrado. Parecendo querer alguma coisa, que já era de minha posse (ou não). A agonia, sempre vinha com lembrança. Lembranças boas até. Elas serviam de sustentação debaixo dos meus olhos. Não os deixando cair. Não os deixando cair no sono. Me manter acordada era me manter viva. Manter-me acordada... Mantendo vivas as lembranças. Mas eu não queria. Queria que tudo aquilo fosse embora como ao acordar após um sonho longo e profundo. E que um novo sonho sem sentido viesse tomar conta de mim. Então, como esperava fui vencida pelo cansaço. E um pouco de medo. Você sabe. Sempre fui vulnerável às coisas que me traziam lembranças passadas. Você, por exemplo.

3 comentários:

  1. Me identifiquei com seu texto! Já me senti assim, querendo entrar em um novo sonho, tentando esquecer o pesadelo que me encontra sempre...

    Adorei, linda :)

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  2. Que lindo. Já tive medo de entregar-me ao sono, pois sabia que os sonhos seriam os mesmos de sempre que me assombravam com memórias do passado.

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