quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Sentimentos Inertes

Já se encontrava totalmente inebriado pela nostálgica sensação que aquela festa não sairia de sua memória tão facilmente. Naquele momento, apesar de entorpecido por algumas doses de Whisky, tinha certeza que aquela mulher era de alguma forma diferente. Sua face, embora escondida atrás de uma máscara era deliberadamente encantadora. Um corpo lindo, com suas formas desenhadas pelo maravilhoso vestido bege que vestia. O que faria sozinha uma mulher tão atraente? Pensara. No mesmo instante, uma música calma começou a tocar. Levantou-se, cruzou o salão de festas e pediu se ela lhe concederia a honra daquela música. O que ele não sabia era que eles já se conheciam há muito tempo. Ao fim da música, ambos caminharam até a porta de saída dos fundos, que dava lugar a um maravilhoso parque, cheio de chafarizes e árvores. Um momento de silêncio, ambos ficaram ouvindo o som da festa que soava abafado. A distância entre os dois foi ficando menor, entreolharam-se. Aquela mulher não lhe era estranha, porém apenas poderia ter certeza disso se tirasse a máscara que lhe escondia o rosto. Sua mão suavemente tocou-lhe a face. Estavam tão próximos que ele pôde sentir o coração dela acelerando aos poucos. Levantou a máscara, mas preferiu não olhá-la diretamente nos olhos, apenas após tocar seus lábios. Beijaram-se. Sentiu seu próprio coração acelerar e deu-se conta de que estava perdidamente apaixonado por aquela (até então) estranha. Olhou-a e então, perplexo, deu-se conta de onde a conhecia. E muito bem. Tratava-se de sua melhor amiga. Aquela que sempre foi completamente apaixonada por ele, mas nunca teve coragem de lhe dizer.

Acordou, só, em seu apartamento. Pensando em sua melhor amiga, pensando em como nunca a tinha visto com outros olhos antes daquela festa. Não lembrava mais o que acontecera após aquele momento. Estava desnorteado, inquieto, e, sobretudo, apaixonado. Tentou reorganizar suas emoções, em vão. A chuva caia incessantemente lá fora. Queria ligar para ela, mas... O que falaria? Enquanto tomava uma decisão, acendeu vários cigarros. Alguns por pura teimosia, outros por complexo de dedos vazios.

Enquanto isso, há algumas quadras dali, ela não conseguia pegar no sono. Ainda pensando na noite anterior, nos momentos maravilhosos que havia passado ao lado do seu primeiro e único amor. O telefone tocou... Era ele.

4 comentários:

  1. Amei, amei, amei!
    Essas histórias de melhores amigos que se apaixonam são incríveis..
    Tão bem descrito que eu me senti lá, observando-os, parabéns! ;*

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  2. eu amei esse texto, parabéns, você escreve muito bem *-*

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  3. alee isso foi muito lindo, continue assim descrevendo uma vida.. pois nenhuma vida é qualquer..
    hasuhsuahu poesias saem por influencia e vc e seus textos me inspiram a continuar escrevendo

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  4. Perspicaz, romântico e verdadeiro. Ás vezes estamos apixonados e não sabemos disso, precisamos ver a pessoa com outros olhos para que a paixão finalmente desperte. Maravilhoso!

    Beijos.

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