domingo, 21 de fevereiro de 2010

Estremeci. Meu coração começou a disparar, incontroladamente. Pude ouvir nitidamente o tic-tac do relógio. E a cada meia hora ecoava o badalar do mesmo. Pude sentir o medo tomando conta de mim, mas fui mais forte do que ele. Em passos longos e suaves cruzei o corredor e fui até a sala, onde o barulho do relógio era mais inquietante. Agora a chuva começava a cair com um ruído tranqüilo, que foi capaz de me tranqüilizar. Embora eu ainda estivesse suando frio. Minha mente estava longe, vagando em pensamentos medonhos. Queria sair correndo dali, e gritar. Mas meu corpo não era capaz de mexer-se. Mesmo contra minha vontade, fiquei ali – imóvel – meu corpo sem nenhuma reação, incapaz de me obedecer.

A decoração daquela casa era tão apavorante quanto aquele silêncio ensurdecedor. Sim, ensurdecedor. Acho que era a palavra mais adequada para a situação. Minhas pernas bamboleavam, minha testa suava e eu podia sentir o ritmo do meu coração acelerar a cada soar do relógio. Nesse momento o vento soava tão fortemente que abriu a janela, fazendo com que o frio tomasse conta de mim e apagando a vela, que era a única iluminação que havia ali.

A escuridão e eu, foi tudo o que restou.

3 comentários:

  1. Me senti na escuridão agora...
    Você escreve "sugando" a gente para dentro dos textos *-*

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  2. Nossa, este texto prendeu-me de uma forma muito profunda, até o fim. Muito bom o modo como usou das palavras nele.

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  3. Tu escreve de uma maneira delicada, envolvente mesmo. Tu tem capacidade pra escrever um livro. Tuas palavras apesar da delicadeza, tem uma força... descomunal. Se tu escrevesse alguma coisa pra mim, eu me apaixonaria na hora, sério. AEHIUAEHOIU
    :*

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